sexta-feira, 22 de junho de 2007

BALANCO SPFW (6o dia)

Reinaldo Lourenço, Anabela Baldaque, Carlota Joakina, Do Estilista, Huis Clos e
Samuel Cirnansck 19/6/2007
Abrindo o penúltimo dia de desfiles, Reinaldo Lourenço escolheu um “Jardim Neoclássico que coloca a artificialidade à serviço da naturalidade e da inspiração”, como tema de seu trabalho. O vestido foi a peça principal, apresentado em comprimentos médios, com detalhes de plissados, macramés e adornos em cristais. Em outra versão, os pop florais eram curtos, rebordados com flores acrílicas.
Apresentando pela segunda vez sua coleção de verão no SPFW, Anabela Baldaque firmou sua proposta de evidenciar a feminilidade em peças discretas e suaves. Desta vez, a estilista portuguesa voltou ao passado e trouxe um clima retrô tipo anos 60, com estampas bicolores de poás, xadrez, floral e listras, misturadas em uma mesma peça. Além disso, detalhes de grandes botões no fechamento, babados delicados e laço na cintura confirmaram a proposta em saias, blusas amplas, vestidos leves e casacos.
Com estilo esportivo e despojado Carlota Joakina retorna ao SPFW com direção criativa de Rodolfo Murilo de Souza, que se inspirou na praia. Vestidos evasês em malha de comprimento curto apareceram com detalhes transparentes, reforçando as sobreposições. Interessante foi a forma como as meninas circulavam na passarela, sem sair de cena. Em sua segunda temporada junto à marca Do Estilista, Marcelo Sommer propôs um mix de produções esportivas com alfaiataria.
Inspirado no Rio de Janeiro de 1920, apresentou um trabalho delicado, com estampas em xadrez, detalhes em plissados, cintura marcada e calças feitas em tecido atoalhado. Os vestidos curtos e fluidos novamente ganharam destaque. Mais elegante e sofisticada, Huis Clos utilizou a técnica de moulagem em suas peças. As calças com cintura alta, corte de alfaiataria, bolso faca e pregas vieram em versão encurtada e longa.
Todos os vestidos são releituras de casacos ou camisas que, em comum, trouxeram pregas na altura da cintura ou foram ajustadas nas cavas deslocadas. O tom de gelo foi a aposta da cartela, com toques de verde-amarelado-cítrico. Fechando o dia mais cedo, a passarela de Samuel Cirnansck foi toda coberta por neve artificial na coleção de...verão! Inspirado no cinema mudo, o estilista apresentou vestidos de festa e de noivas, em um clima sensual e fetichista. Trabalhos em tramas e bordados mereceram atenção, em modelos curtos e longos. A silhueta justa foi marcada nos vestidos com corseletes.

BALANÇO SPFW (5o dia)

Cavalera, Miguel Vieira, Movimento, Mario Queiroz, Simone Nunes, Vide Bula e
Ronaldo Fraga 18/6/2007
No domingo, os desfiles iniciaram somente na parte da tarde com a Cavalera. Brincando com a onda de logomarcas Chrisitan Dior, Empório Armani e Chanel, a marca apostou no sportwear divertido e sofisticado. As peças oversize e volumosas foram unanimidade em vestidos curtinhos, blusas e calças. A estamparia ficou marcante.
Mais sofisticado, o estilista português Miguel Vieira coloca na passarela de verão peças em alfaiataria cheias de referências futuristas, onde brancos, pratas e pretos montam a cartela de cores enxuta. Vestidos foram a peça-chave do desfile, em comprimentos curto e materiais fluidos, como o cetim. Já na moda praia, a Movimento apresentou trajes de gala como smoking.
Em contraponto, a linha esportiva ficou clara, em tops com capuz, maiôs fechados com recortes e estampas divertidas.
No universo masculino, Mario Queiroz, inspirado pelas Grandes Navegações, trouxe referências dos costumes dos homens no século XVI. A mistura de tons de azul, que remetiam às águas, contrastou com o preto, em uma interpretação livre sobre viagens e clima das embarcações portuguesas.
A alfaiataria com uma nova releitura, mais justa, e estampas contínuas, ganharam espaço na coleção. Blocos de luzes coloridas piscavam na passarela de Simone Nunes e indicavam a inspiração geométrica e construtivista da estilista, que evidenciou os brinquedos da infância. A coleção se desenvolveu em vestidos curtos, de diferentes volumes, proporcionados pela mistura de materiais como shantung, gorgurão, neoprene e tricoline.
Logo depois, foi a vez da Vide Bula mostrar seu trabalho jovem e descontraído. Com looks futuristas, teve a água como inspiração. Destaque para as regatas e calças justas e para os mini-shorts com bolsos bufantes, além dos vestidos, leves e soltos. As estampas mereceram atenção. Para finalizar o fim de semana, Ronaldo Fraga fez diferente e emocionou a platéia com um show de Fernanda Takai interpretando as músicas de Nara Leão, a inspiração do estilista. Formas dos anos 60 deixaram as meninas românticas, usando vestidos soltinhos, saias com pregas ou balonês e casacos e blusas amplas.

BALANÇO SPFW (4o dia)

Iódice, Gloria Coelho, Jefferson Kulig, Lorenzo Merlino, André Lima, V.Rom e
Lino Vilaventura17/6/2007

Abrindo o sábado de desfiles, Valdemar Iódice propôs uma nova visão à sua marca, em uma coleção correta e com poucos adereços, focando na construção das peças. Inspirada pela artista Sonia Delaunay, os vestidos, bem estruturados do estilista, vieram com leves volumes, proporcionados pelo jérsei, além do uso progressivo do paetê. No início da tarde, foi a vez de Gloria Coelho apresentar sua coleção no Shopping Iguatemi.
A inspiração foi no carnaval, mas não espere referências óbvias e muitos adereços para a roupa de Glória. O desfile veio sóbrio, em looks tecnológicos predominados pelos tons de preto e branco, em que tons de azul, salmão, amarelo e verde também ganharam espaço. Seu filho, Pedro Lourenço, foi o responsável pela idealização dos looks masculinos. Logo após, o Museu de Arte Moderna recebeu os fashionistas para o desfile de Jefferson Kulig, onde mostrou seus vestidos de caimento perfeito e uma boa pesquisa de materiais.
O jérsei foi misturado com palha e tafetá, enquanto tecidos sintéticos conferiram o toque levemente futurista da coleção. Voltando para Bienal, foi a vez de Lorenzo Merlino apresentar sua coleção. Mostrando tanto looks femininos, com inspiração na violência e nos hospitais, quanto looks masculinos, estes com referência à polícia das grandes cidades. A suavidade marcou o desfile pelos vestidos de toque delicado e pelo efeito sutil de metalizados. André Lima foi quem iniciou a seqüência de desfiles noturnos, em um desfile embalado ao som de “Amor e Poder”, de Rosana.
Diferente de seu inverno, o estilista apresentou seus clássicos vestidos eveningwear nos mais variados comprimentos. Cetim, jacquard e georgete foram estampados pela fauna e flora, criando silhuetas amplas e volumes interessantes.O único desfile exclusivamente masculino do dia, a V.Rom fez sua estréia com a nova direção artística do estilista Igor de Barros.
O estilista acertou a mão e fez uma bela apresentação, em alfaiataria com toques militares sem ser levada ao pé da letra. Muitas cores e estampas inteligentes, como florais, listras e xadrezes deram o ar cool para a temporada de calor. Finalizando o dia com direito a grande performance, Lino Vilaventura trouxe sua elegância barroca em desfile monocromático, inspirado pelo trabalho do fotógrafo japonês Hiroshi Sugimoto. Rendas e muitos recortes enfeitaram as criações quase lúdicas do estilista, que também passou a exata impressão a seus looks masculinos, com muita delicadeza e experimentalismo.

BALANÇO SPFW (3o dia)

Isabela Capeto, Neon, Água de Coco, Fábia Bercsek, Cori, Zigfreda e Giselle
Nasser
16/6/2007




A sexta-feira iniciou com o desfile de Isabela Capeto na marquise do MAM, Museu de Arte Moderna, com um cenário de grandes cestos de frutas e verduras. Contrária ao boom tecnológico e futurista que estamos presenciando nas passarelas de verão, Isabela quis mesmo é saber da natureza mostrando estilo artesanal.

Ela enfeitou todos os seus easy dresses com babados, apliques de placas metálicas, drapejados ou estampas florais. Já na parte da tarde, a Neon, de Rita Comparato e Dudu Bertholini, continuou apostando na estamparia como ponto forte. Em clima cigano, de “mulher madura” Ivete Sangalo desfilou na passarela. As peças da linha gold foram novidade, feitas para ocasiões especiais com bordados de paetês coloridos sobre as estampas, idealizadas por diversos designers. A moda praia apareceu chique, inspirada no Pantanal, com a Água de Coco.

A passarela toda branca permitiu que as estampas de folhagens e as padronagens tribais se destacassem. Destaque para os biquínis, com calcinha ampla e parte superior tomara-que-caia, e para os maiôs, com ótimo caimento conseguido através dos drapejados. Viajando ao antigo Egito para buscar suas inspirações de verão, Fábia Bercsek trouxe a atriz Camila Pitanga, como cleópatra. A silhueta ficou despretensiosa, em vestidos de modelagem solta e comprimentos acima do joelho.

O mix lúdico de estampas, marca registrada da estilista, também foi ponto forte da coleção. Alexandre Herchcovitch apostou no cangaço e especialmente em Maria Bonita em uma coleção tipicamente brasileira para a Cori A novidade ficou com o couro, utilizado em diversas peças como calças, vestidos e maiôs, todos justinhos no corpo das modelos. A modelagem bufante, tipo "egg" apareceu em vestidos, macacões, shorts e calças. Retornando ao SPFW, Zigfreda propôs uma viagem a um reinício dos tempos, chamados de “Anos Zero”, com uma nova definição do futuro.

A marca trouxe a silhueta fluida e ampla com elementos esportivos, deixando para traz sua fama retrô. Os vestidos com estampas psicodélicas e a cintura alta das combinações estavam fortes na coleção. Giselle Nasser encerrou a noite desta sexta-feira com vestidos de festa, inspirados no céu estrelado. Destaque para os decotes em peças que misturaram materiais finos como organza de seda, tule, cetim, shantung e jersey. Enrugados e drapejados, vivos de cetim e aplicações de cristais Swarovski valorizaram as peças.

BALANÇO SPFW (2o Dia)

Maria Bonita, Wilson Ranieri, Alexandre Herchcovitch masculino, Poko Pano,
AfroReggae, Triton, Zoomp e Ellus.



O dia começou bem. Desta vez foi a Maria Bonita a primeira a iniciar a seqüência de apresentações. Com água no chão da passarela, as modelos desfilaram os célebres vestidos evasês de comprimento médio que, desta vez, ganharam brilho através de acabamentos tecnológicos, ou de bordados em paetês. Novidade mesmo foram as mochilas para vestir com modelagem tipo casaqueto.

Depois, foi a vez de Wilson Ranieri mostrar sua segunda coleção no evento de moda paulista. Apostando firme na feminilidade, o estilista não quer saber de formas muito amplas e traz para a passarela uma série de vestidos feitos através da técnica de moulage, levemente ajustados ao corpo, com corte recatado e cores secas como brancos, uvas e pretos.

Único desfile totalmente masculino do dia, Alexandre Herchcovitch quer mesmo é rock, e nada de indie rock, a proposta é o som pesado. A coleção, apesar de ser de verão, introduziu o preto como cor principal e apostou no contraponto de modelagens em que as calças eram ajustadas e as blusas amplas e confortáveis. Do masculino direto para o beachwear, é a vez de Paola Robba mostrar suas propostas para a Poko Pano.

As calcinhas seguiram as tendências já apontadas, vieram maiores e com as cinturas elevadas. Os maiôs deixaram de lado o ar sem graça e ganharam recortes por todo o corpo. Mas, o que chamou mesmo a atenção, foi a estamparia geométrica que, muitas vezes, confundiu-se com o piso quadriculado da passarela.Seguindo a onda multicolor da Poko Pano, mas agora numa onda mais engajada, a AfroReggae mostrou, pela primeira vez, sua coleção no São Paulo Fashion Week.

A cultura pop foi levada a sério e as estampas vieram com cara de grafite e toques dos anos 80. O conforto transpareceu na escolha de materiais, apenas malhas circulares tanto para vestidos quanto para calças, biquínis e maiôs.Jovem e cheia de graça, a Triton (foto 7) gostou dos anos 90, final dos 80. As calças e os shorts de cintura alta ganharam a companhia de tops e foram, na passarela iluminada, revezados com microvestidos ou com bodyes urbanos. A cartela de cores pop, com muito rosa e roxo, ganhou ainda a estampa de onça.

Padronagem esta já bastante explorada, mas muito bem encaixada dentro do contexto e da proposta da coleção. A Zommp fez um compilado e colocou meninas e, na seqüência, meninos, em sua passarela branca. Os tons gélidos e as cores abertas serviram tanto para eles quanto para elas. A camisaria foi ponto alto e ganhou graça ao ser aplicada em modelos de blusas com gola imponente e detalhes de zíper.

Nos rapazes, o styling fez toda a diferença e ficou aparente na composição dos looks com suspensórios caídos. Para finalizar, o tão esperado desfile da Ellus (fotos 9 e 10) trouxe a atriz super cool Chlöe Sevigny. O atraso de uma hora, foi esquecido por todos depois do bom desfile com uma infinidade de microvestidos utilitários ou românticos feitos em sarja, malha e chifom para elas e, jaquetas e casacos combinados com bermudas ou calças de alfaiataria para eles.

BALANÇO SPFW (1o Dia)

Fause Haten, Alexandre Herchcovitch feminino, UMA, Tereza Santos, Forum,
Osklen e Cia. Marítima 14/6/2007


O dia começou com Fause Haten no Iguatemi. Com uma coleção toda lúdica, o estilista mostrou cores vibrantes, rufos, babados, laçarotes e muito volume em seus vestidos longos. Em meio às modelos, Fause optou por colocar algumas celebridades que, na maioria dos casos, acabaram destoando e criando estranheza.

Já nas salas da Bienal, foi a vez de Alexandre Herchcovitch (foto 2) mostrar seu verão. Diferente do que vinha apostando, o estilista deixou de lado toda e qualquer referência pop e cultural apostando em um desfile seco, todo estruturado, vindo diretamente do guarda-roupa masculino.

A cartela de cores enxuta ressaltou a bela modelagem das peças, dessa vez muito bem aplicada nos vestidos e saias com volume nos quadris.Na seqüência, Raquel Davidowicz continuou com seu trabalho street fashion para a UMA (foto 3) e desfilou, na passarela, uma seqüência de bermudas, casacos tipo alfaiataria, regatas em malha e blusas amplas.

O cenário, todo enfeitado por luzinhas, refletiu nas estampas os desenhos gráficos e levemente coloridos.Saindo da moda casual e partindo para um segmento mais requintado, Tereza Santos (fotos 4 e 5) entrou com o pé direito no São Paulo Fashion Week, agora respondendo por sua própria marca.

Com uma malharia requintada, a estilista apostou no brilho e trouxe inúmeros trabalhos diferenciados feitos sobre malharia circular e retilínea. Vestidos curtos e peças como biquínis e maiôs mostraram a versatilidade desse material que até então era visto como pano apenas para estações mais frias. Ponto forte foi a aparição de Luiza Brunet que, toda linda, fechou o desfile.

A Forum, agora mais internacional que nunca, mostrou a tendência navy nas passarelas, porém com nova leitura para o tema. Calças e shorts de cintura alta foram peça-chave bem como os inúmeros vestidos folgadinhos. Bonito também foram as maxibolsas em couro réptil e as plataformas com fachetes metalizados.Com bastante atraso, acumulado ao longo do dia, a Osklen mostrou mais uma vez sua moda superengajada e mais do que chique.

Para o verão, a opção foram peças secas e cores sóbrias com apenas uma abertura para estampas multicolor. O estilista mostrou layers aplicados tanto nas roupas (saias e vestidos) como nos ótimos chapéus. Este, já cotado para ser um dos melhores desfiles da semana.

Por fim, a Cia. Marítima fechou o primeiro dia. A mistura de estampas foi uma constante, e a combinação de tecido plano com a malha de lycra, uma boa novidade. Frentes únicas e partes superiores com um ombro só marcaram o desfile bem como as saídas de praia que iam desde vestidos curtos com mangas em evasê até longos com profundos decotes nas costas.

BOA DICA:

Foi lançado no Rio de Janeiro o Dicionário da Moda, assinado por Marco Sabino. Para as novas gerações que não devem conhecer o nome, Marco Sabino foi um dos maiores da moda carioca nos anos 80, no segmento acessórios e bijuterias. Uma referência da época. Ele é médico de formação, ele migrou para a moda nos anos 70 e, a partir dos anos 90, se tornou estudioso da matéria. Esse seu dicionário tem 1300 verbetes e pretende ser uma ferramenta pra profissionais, estudantes e interessados pelo assunto.

http://www.marcosabino.com/